ironia, ainda que tardia

Thursday, October 22, 2009

Liturgia

Minha liturgia do pecado
Não permite contrição,
Já não me arrependo mais,
Nem imploro seu perdão.
Minha prece é letra morta,
Não me serve de oração.

Meu pecado é insistir
No erro de continuar errado,
De seguir pecando,
De ainda ser pecado
E passear danado
Em meio a tanta danação.

Mas atire a primeira pedra
Quem não tem pecado,
E que atire as próximas
Aqueles que, como eu,
Já não têm perdão:
O pecado é nossa religião.

Desfio um rosário de ofensas,
Emendo contas nessa novena,
Desfio palavrões na cantilena,
Faço diabos com sua confissão,
Troco a sua penitência
Pela minha satisfação.

Eu digo o santo nome em vão,
Eu mato, eu roubo, traio,
Desafio a sua santidade
Em troca do meu desatino,
Em troca do último perdão de
Deus no dia do Juízo Final.

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